23 julho, 2010
Fim de noite.
Uma noite de clima curitibano, com chuva fraca lá fora. Ele, sentado em sua cama com um papel e uma caneta nas mãos e com uma caneca de chocolate quente no criado mudo ao lado escrevia qualquer bobagem que vinha em sua cabeça. Escreveu sobre filmes, poemas, cânticos e histórias. Várias frases que falavam de coisas completamente distintas, e que se juntas não formariam bosta nenhuma. Mas ele insistia em tirar um texto dali. Começou a montar uma espécie de quebra-cabeça com cada uma das frases. Adicionava sinônimos e vírgulas, mas nada dava certo. Respirou profundamente, mexeu a xícara com uma colher de cor desbotada, tomou mais um pouco da bebida e continuou a tentar escrever. Amassou o papel com cada uma das frases e arremessou na lixeira cinza que tinha ao lado da escrivaninha. Errou. Bebeu o último gole do seu chocolate e levou a xícara e a colher para a cozinha. Colocou um pouco de água para não encher de formiga e foi dormir. Já era tarde e o relógio marcava duas horas, mas o dia ainda não tinha acabado e o sono demorou a chegar. Ele ficou deitado, pensando em qualquer coisa que não devia pensar. Adormeceu.