08 agosto, 2017

Propósito

Quer ouvir Invisible junto?


Acolher um propósito é o projeto mais desafiador que uma pessoa pode planejar. Aquilo que emanamos espiritualmente vive em penumbra, só brilha mesmo na hora de se despedir. Quando uma pessoa se vai antes que possamos conhecê-la é porque o seu legado ficou. Devemos extrair o melhor dos nossos aprendizados para cumprir com o nosso chamado, pois o verdadeiro sentido da vida é radiar. Quando estivermos preparados para reconhecer o melhor de nós seremos plenos e, enfim, luz.

08 junho, 2017

O eu, a fé.

Quer ouvir Angel junto?

É preciso sabatinar da euforia, colocar os pés no chão, perceber que todas as bênçãos às vezes recaem, e reconhecer que a monotonia é mansa, o normal reabastece os impulsos do coração para que eles voltem a ter objetivos bem traçados para guiar o futuro.


Sentei e refleti sobre os três aspectos mais importantes da minha vida: profissão, relacionamento e família. Em todos havia instabilidade. Nenhum por minha culpa. Então peguei uma biografia que estava esquecida no criado-mudo e devorei. Refletindo sobre a vida do outro, pude me lembrar de duas premissas ainda mais importantes, quiçá fundamentais: a fé e o eu. E com esses estava tudo bem, desde que eu mantivesse a calma e não deixasse que os outros três os devorassem.

Pensei algumas vezes que se fosse o início de uma depressão estaria tudo bem, que seria necessário assumir para que ela deixasse de ser.  Mas não era, e não foi. Mantive-me em pé. Há um tempo estava lendo e assistindo algumas coisas sobre espiritualidade, e então notei o quanto sou fascinado por esse tema. A fé sempre foi muito relevante na minha educação. Sou neto de uma senhora legionária, e aprendi com os erros dela sobre sua crença que para adorar um Deus é preciso encontra-lo dentro de si. Compreendi que a fé não é superior, mas sim interior. Aí me interessei por todas as outras religiões, crenças e filosofias. Nunca me aprofundei sobre nada, mas se alguém me parasse em um momento oportuno para falar sobre o que acredita, eu estaria disposto a ouví-lo.

No stress de não compreender minha própria vida, busquei a fé e, ao invés de pedir, agradeci como costumo sempre fazer. Embora existam particularidades na minha existência, sei que sou privilegiado. Das bênçãos que recebi compreendo que deveria compartilhar, minimamente, experiências. Porém, entre reflexões, percebi o eu. O eu perfeito, sem deficiências, inteligente, honesto, educado e sortudo. Então sorri. A vida sorriu. Levantei, vi todos os meus defeitos no espelho e antes que pudesse julgar a mim mesmo resolvi observar cada detalhe que me fazia sentir especial. E sorri novamente. Há tantas oportunidades para que eu possa refazer o que me entristece e tanto tempo a ser percorrido que nada seria suficiente para me derrubar.

E vou em frente, preparado para matar os meus próprios leões antes de encontrar os propósitos pelos quais a profissão, os relacionamentos e a família estarão abertos a acolher e também me proporcionar.

12 maio, 2017

Energize-me

“As pessoas mentem, mas a energia delas não”.



Coloquei como teste desabafar sobre o período em que cruzei com pessoas desavisadas sobre mim. Todos foram cobaias do ego de quem permitiu manter-se introspectivo. As desculpas esfarrapadas que trarei nessa conversa também não são sinceras, me perdoem desde já. Acontece que a gente muda, e nem sempre nos contentamos com a mudança e somos forçados a aceitar nós mesmos. Mesmo que agora possa não parecer, acredito nisso.

A noção que tinha sobre a minha sorte era ampla, o que me fazia autoconfiante, mas me cegava. Em uma breve retrospectiva, encontrei a felicidade plena e, com ela, confiança. Eu podia transmitir em espírito toda a alegria que habitava em mim. Sempre fui um bom amigo, paciente e ouvinte, mas nunca havia refletido sobre a complexidade das relações humanas. Aos poucos ouvir incomodou, aconselhar foi repetitivo demais e sorrir ficou forçado. Então virei gelo. Não porque quis, mas porque me tornei.  Mesmo que agora possa não parecer, não foi algo ruim.

Ao me dar conta, percebi que nada era favorável ao meu amadurecimento.  Eu estava exausto da minha essência e passei a não transmitir o que eu tinha de bom. Soava falso. 

E a cada dia fui me tornando ainda mais introspectivo até que houve uma auto avaliação de quem eu estava me tornando, e encontrei amadurecimento. Mesmo que agora possa não parecer, amadureci.

Amadurecer não significa tornar-se maduro, mas estar no caminho. É um processo mais presente que futuro, entende? Percebi que conseguia me colocar melhor no lugar do outro e tomar as mesmas dores, que a vida é injusta com alguns e que não precisamos sempre estar de bom humor ou pensando que todos precisam das nossas orações. Com um pouco de amargura fui deixando de ser apoio para os outros e tentando me tornar muleta para eu mesmo. Mesmo que agora possa não parecer, me tornei.

Então refleti sobre as pessoas que andavam comigo. As nossas relações já não eram mais de desabafo, mas de utilidade. Procuravam-me enquanto eu estava, e não quando convinha. Ainda mais introspectivo percebi que a minha felicidade não era combustível para ninguém, mas a dos outros era para mim.  Fizeram-me falta os abraços de agradecimento, os sorrisos de alegria, as bobagens faladas no dia-a-dia. Mesmo que agora possa não parecer, me senti sozinho.

Nessas circunstâncias fiz um esforço para voltar a ser sociável como antes, retomei ao grupo de amigos e voltei a ter empatia pelos problemas dos outros. Houve espaço para ouvirem minhas inquietudes. Aí percebi o primeiro esboço de sorriso. Mesmo que agora possa não parecer, meus dentes saltaram para fora.

Percebi então algo sobre as relações humanas: a energia do ser vivo mantém-se estável enquanto há outra por perto, e a instabilidade se equilibra aí. Não precisamos aceitar nós mesmos já que somos flexíveis o tempo todo. A empatia é o principal ingrediente, mesmo que possa não parecer.

26 março, 2017

Janela

Quer ouvir Understand junto?

"Don't leave your heart behind
'Cause we all get lost sometimes"



- Vê que aqui em São Paulo o sol não embranquece o dia em linha tênue? O horizonte tem deixado de ser plano. Vem cá, levanta, quero te mostrar uma coisa. Fecha os olhos. Corre, vem. Agora abre. No “nada demais” ali tem vida, percebe? Em cada janelinha uma história.

- Hora ou outra fico aqui observando do nosso canto o canto dos outros. Quem imaginaria, não? Às vezes alguns se esquecem de fechar suas cortinas e não percebem a exposição.

- Dia desses vi uma moça nua. Eu sei que é errado, mas reparei. Ela estava um pouco acima do peso, mas se movimentava feito uma bailarina. Sozinha tinha o mundo pra ela. Mesmo sem enxergar ao certo seus lábios, vi um sorriso que talvez ela não tenha aberto para ninguém, só pra ela mesma. Viu como a vida passa? Ela passa depressa lá embaixo, na rua, e em diversos ritmos aqui em cima, entre paredes. E, para você, o nosso lugar nos diz o quê? O que você enxerga aqui? Eu, estático, consigo ver o seu ombro, a pontinha da sua orelha, nossos braços cruzados e os seus dedos nos meus. E aí, me diz, você enxerga o quê?

- Algo monótono que eu via todos os dias se tornando, só agora, pela primeira vez, novo.

- Vamos lá viver o nosso tempo? Nesse ponto de vista talvez a gente consiga sempre ter um bom motivo para ter um bom dia.

- Mas eu já tenho você.

10 fevereiro, 2017

416Km

Quer ouvir Castle On The Hill junto?

"I know I've grown
But I can't wait to go home."




Hey Iago,

Estou escrevendo porque estou exausta das teclas miúdas e das palavras dispersas. Estive com saudades das letras alinhadas e de raciocinar mais que dois segundos para lhe dizer as três palavras de sempre de uma forma mais bonita.

Descobrimos que os meus sentimentos fluem melhor quando bem pensados. Você sabe como assim não preciso guerrear com a minha memória e muito menos com a sua habilidade de me fazer perder o raciocínio, daquele jeitinho em que qualquer palavra mal escrita me faz derreter inteira.

Nessas outras teclas mais espaçadas eu ensaio os meus sinceros sentimentos. Aqui exploro as lembranças de tempos onde escrevia os receios de te perder para outra pessoa, dos sonhos que eu já nem quero mais, dos planos que continuamos tendo todos os dias. Nessas teclas onde eu enxuguei algumas lágrimas, posso perceber que a nossa metade igual pode nem ser tão igual assim, mas é tão doce quanto.

Dia desses percebi que os nossos desejos, aqueles sobre nós mesmos, não percorrem por redes e bytes, mas caminham pelo sangue. Cada plano é individual, e por mais que possa parecer impossível compartilhá-los de longe, não é. Tudo faz parte de nós e, quando estamos conectados por sentimentos, mesmo que há 416Km ou em 6h de distância, é que podemos percebê-los. Mas concorde comigo: compartilhá-los em pele é muito melhor.

Confesso. Quero muito que a distância entre as teclas na minha frente tornem-se a distância entre os meus dedos dos seus. Sei que nossa vida precisa ser feita daqui ou daí, e isso só nós podemos fazer, mas é tão melhor com você.

Das três palavras que agora escrevo em um raciocínio um pouco mais extenso? Eu te amo.

Para sempre sua. Laíse.