17 agosto, 2010
Secas pétalas do palácio.
O reinado parecia estar reconstruído, mas alguma coisa ainda faltava. A terra não havia sido regada suficientemente e as plantas continuavam murchas. O bobo da corte, que hora ou outra ia visitá-las já estava entristecido e não podia alegrar uma mosca. O rei, furioso, sem saber o que fazer decidiu regá-las. Mas aquilo não era tarefa para um rei. Encharcou todas as flores, e aquelas poucas que ainda estavam conseguindo viver ficaram ensopadas.
Desapontado ele precisava de um jardineiro, mas jardineiro nenhum queria cuidar daquele quintal desnutrido por maior que fosse a sua recompensa.
Felizmente certo dia apareceu um, que por dó das plantas que estavam se desabrochando, ou do próprio rei resolveu arriscar, e nem queria qualquer recompensa, embora precisasse.
Dias depois a primeira planta mostrou estar bem. E outra, e outra, e outra... E cada dia o jardim estava mais bonito. Felizes, e sabendo dar conta do seu trabalho, mais jardineiros começaram a ajudar voluntariamente.
O rei, perdido no meio de tantos jardineiros precisava recompensar aquele que reergueu seu jardim, mas não sabia quem era. Perguntou para todos, um por um, se conheciam e ninguém soube responder. Foi quando chegou a vez dele, o jardineiro de verdade, mas com toda sua humildade disse não saber de quem a majestade falava.
O rei, que andava pelo jardim perfeito completamente feliz, resolveu recompensar qualquer um dos jardineiros que estava lá para não ficar com a sensação de estar sendo mal agradecido.
E o jardineiro real, jamais foi recompensado. E nunca mais se ouviu falar nele. No tolo e bom jardineiro.